Marielle Franco tem morte lembrada em protesto no Centro de Vitória

Um grupo se reuniu na Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória, no fim da tarde desta quinta-feira (15), para um ato em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL), morta a tiros no Rio de Janeiro na noite desta quarta-feira (14). Os participantes seguiram em caminhada até o Palácio Anchieta, onde finalizaram o ato.

A vereadora foi morta a tiros dentro de um carro no Centro do Rio de Janeiro, por volta das 21h30 desta quarta. Além de Marielle Franco, o motorista do veículo, Anderson Pedro Gomes, também foi baleado e morreu. Uma outra passageira, assessora de Marielle, foi atingida por estilhaços. A principal linha de investigação da Delegacia de Homicídios é execução.

Corpos de Marielle Franco e motorista Anderson Gomes são enterrados no Rio
Participam do ato representantes do PSOL, outros partidos políticos e de movimentos sociais. De acordo com a organização, aproximadamente 500 pessoas estão na manifestação. A Guarda Municipal de Vitória estima que 250 participam do ato.

Uma ação organizada pelo Fórum Capixaba de Luta colocou cruzes vermelhas em um canteiro da praça. Nelas, nomes de pessoas mortas no Espírito Santo durante a paralisação da Polícia Militar em 2017 e também de mulheres assassinadas no estado.

“A gente fez questão de registrar os nomes, quando conseguimos, pra dizer pro Estado e pra sociedade que essas pessoas têm nome, têm família, têm casa. Esse ato já foi feito anteriormente. Resolvemos trazer hoje porque acreditamos que estão interligados o feminicídio, o preconceito racial, contra a mulher, contra a juventude da periferia”, explicou a assistente social Nildete Turra.

No ato, participantes prestam homenagem a Marielle Franco, mas também levantam questões como o racismo, a violência contra a mulher, a intervenção federal no Rio de Janeiro e o fim da Polícia Militar.

O coordenador do Círculo Palmarino, associado ao Movimento Negro, Lula Rocha, disse que os movimentos sociais negros continuarão lutando pelas causas defendidas por Marielle.

“Marielle é fruto de um processo de organização da juventude negra brasileira que conseguiu chegar ao parlamento, e lá travava uma luta comprometida com o combate ao racismo, denunciando uma série de coisas que acontecem conosco, jovens negros. É mais uma morte cruel, covarde, mas que não nos calará. Continuaremos denunciando o extermínio da juventude negra”, disse.

A atriz e professora de artes cênicas Sandra Chagas, integrante de um coletivo artístico feminista Batuq Dellas, espera que Marielle e sua militância em prol das minorias sejam sempre lembradas.

“Apesar de toda essa movimentação, a vida dela não volta. É uma dor. Eu preferia não estar aqui. Que ela esteja presente em nossas vidas cada dia mais. Agora, mais do que nunca”, disse.

Embora vários movimentos sociais estivessem presentes no ato, muitas pessoas sem nenhuma ligação com esses grupos ou organizações partidárias foram até o local prestar homenagens a Marielle.

“Eu não preciso participar de nenhum movimento para abraçar a causa. Só pelo fato de ser melhor, eu deveria estar aqui hoje. Por ser mãe, por ser negra”, disse a agente de segurança Fabiana Nobres.

Por volta das 19h20, os participantes seguiram em caminhada pacífica até o Palácio Anchieta, ocupando duas faixas da Avenida Jerônimo Monteiro. Segundo a Guarda Municipal de Vitória, a ação não prejudicou o trânsito. Por volta das 19h45, os manifestantes subiram as escadarias do palácio, liberando totalmente e a via. O ato foi finalizado no local.

Fonte: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/marielle-franco-tem-nome-lembrado-em-protesto-no-centro-de-vitoria.ghtml

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